Trump chega à Assembleia Geral da ONU atolado na guerra com o Irã
A Assembleia Geral da ONU começa, nesta terça-feira (22), com um discurso muito aguardado de Donald Trump, crítico ferrenho de uma instituição que ele acusa de ser incapaz de resolver conflitos globais, justamente quando ele próprio parece estar atolado em sua guerra no Irã.
O discurso do presidente americano na Assembleia Geral do ano passado consistiu em um ataque frontal às Nações Unidas, que ele acusou de inação enquanto se vangloriava por ter encerrado sete guerras em apenas alguns meses.
Irritado com a quebra de uma escada rolante na sede da ONU em Nova York, logo após sua chegada, o republicano também atacou as políticas de imigração de países europeus e reiterou sua negação das mudanças climáticas, chamando-as de "a maior farsa" da história.
Desta vez, Trump discursará enquanto luta para se desvencilhar do conflito que iniciou ao lado de Israel contra Teerã no final de fevereiro. A guerra mostra sinais de escalada e afeta o fluxo de petróleo e gás, o que tem tido repercussões na economia global.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro a discursar, já anunciou que pedirá a Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras.
Lula (PT) busca a reeleição nas eleições de outubro contra Flávio Bolsonaro (PL), aliado de Donald Trump. As pesquisas indicam um segundo turno bastante acirrado entre os dois.
- Balanço amargo -
No âmbito interno, Donald Trump também enfrenta dificuldades às vésperas das eleições de meio de mandato, confrontado com uma crescente impopularidade alimentada em grande parte pelo aumento do custo de vida.
Ele também tem uma reunião agendada hoje com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em meio à intensificação do conflito com a Rússia nos últimos meses. Zelensky se referiu recentemente ao conflito como uma "guerra ridícula e interminável" que "precisa parar".
Paradoxalmente, espera-se que o diagnóstico da incapacidade da ONU de resolver grandes conflitos seja compartilhado pelo secretário-geral da organização, António Guterres, que fará seu último discurso. Seu segundo mandato, de cinco anos, termina em dezembro.
Referindo-se à guerra na Ucrânia e à situação no Oriente Médio, o secretário-geral português, de 77 anos, fez um balanço amargo e afirmou que "as coisas pioram um pouco a cada dia".
"Não há nenhuma melhora em lugar algum", insistiu Guterres, chegando a afirmar que não tem "nenhum poder".
Espera-se, no entanto, que o secretário-geral da ONU aborde a questão da inteligência artificial, após ter pedido, há alguns dias, uma "coordenação global" em resposta a uma série de incidentes e alertas preocupantes de diversos líderes do setor.
P.Sanabria--HdM