Defesa de Bolsonaro nega uso de celular em prisão domiciliar
A defesa de Jair Bolsonaro negou nesta segunda-feira (30) que o ex-presidente tenha violado a proibição de uso de celular enquanto cumpre prisão domiciliar, uma infração que poderia mandá-lo de volta para a cadeia.
O Supremo Tribunal Federal (STF) exigiu explicações aos advogados de Bolsonaro sobre uma eventual violação dessa proibição, depois que um dos filhos do ex-presidente disse em evento nos Estados Unidos que estava gravando um vídeo para ele.
Condenado a 27 anos de prisão por crimes relacionados a uma trama golpista, Bolsonaro passou a cumprir a pena em sua casa, em Brasília, na última sexta-feira, após uma decisão judicial provisória, que o isentou de voltar à prisão depois de passar duas semanas hospitalizado devido a uma broncopneumonia.
Em sua residência, o ex-presidente (2019-2022), de 71 anos, está proibido de usar o celular ou qualquer meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros.
O ministro do STF Alexandre de Moraes pediu esclarecimentos sobre um comentário feito no último sábado por Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, no qual ele disse que estava filmando o evento porque o estava mostrando a seu pai, segundo um documento obtido pela AFP.
Em sua resposta, os advogados afirmaram que Bolsonaro respeitou todas as condições da prisão domiciliar, especialmente as proibições relacionadas ao uso de aparelhos de comunicação.
Michelle Bolsonaro, mulher do ex-presidente, publicou no Instagram que "não houve recebimento de qualquer vídeo" gravado no evento, nem "exibição desse ou de qualquer outro material" ao seu marido.
Em vídeo publicado no X, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, radicado há um ano nos Estados Unidos, criticou o pedido de explicações feito por Moraes.
No ano passado, o STF condenou o ex-presidente por tentativa de golpe de Estado em 2022, quando ele tentou se manter no poder após perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva.
Bolsonaro já esteve em prisão domiciliar, mas ela foi revogada em novembro, após ele danificar a tornozeleira eletrônica com uma solda, o que foi interpretado pelo Supremo como uma tentativa de fuga.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato à presidência, também participou da conferência do movimento conservador na cidade americana de Dallas, onde fez um discurso no qual elogiou Donald Trump e mostrou confiança em uma vitória nas eleições de outubro.
A.Montoya--HdM