Elton John denuncia invasão 'abominável' do Daily Mail a sua vida privada
O astro pop britânico Elton John denunciou, nesta sexta-feira (6), ao Tribunal Superior de Londres a “abominável” invasão do tabloide Daily Mail a sua vida privada, algo “além até das normas mais básicas da decência humana”.
Ao prestar depoimento em uma ação conjunta contra a Associated Newspapers Ltd (ANL), editora do Daily Mail e do Mail on Sunday, o cantor afirmou que os jornais acessaram ilegalmente prontuários médicos dele e de sua família.
“Considerei a invasão deliberada do The Mail à minha saúde e aos detalhes médicos relacionados ao nascimento do nosso filho Zachary abominável e além das normas mais básicas da decência humana”, afirmou o cantor em uma declaração escrita, divulgada quando começou a depor por videoconferência.
Usando um casaco verde e uma gravata roxa, o músico de 78 anos mostrou sua irritação enquanto prestava depoimento.
O cantor afirmou que teve de enfrentar “as coisas mais horríveis do mundo que alguém pode vir a sofrer do ponto de vista da privacidade”. Elton John explicou que “as três” linhas telefônicas fixas da família “foram grampeadas”.
“Fiquei furioso”, disse Elton John ao tribunal, acrescentando que “nunca tive medo de defender minha posição frente à imprensa britânica”.
A advogada Catrin Evans, que representa a editora, sugeriu que, em alguns artigos do Mail citados no caso, “certa quantidade da informação… já havia sido colocada em domínio público”.
David Furnish, marido de Elton John, falou ao tribunal na quinta-feira. “Ficamos indignados que o Mail tenha usado nossas amizades contra nós, roubando informações por meio delas”, disse Furnish, de 63 anos.
- Príncipe Harry entre os autores -
Ao todo, sete personalidades, incluindo o príncipe Harry e a atriz Liz Hurley, processam esses tabloides pela forma como obtiveram informações privadas entre 1993 e 2018.
A ANL nega todas as acusações, que se referem a mais de 50 artigos publicados nesse período, considerando-as “absurdas”.
O julgamento, que deve durar nove semanas, começou em 19 de janeiro.
O príncipe Harry depôs à beira das lágrimas em 21 de janeiro, quando acusou os tabloides de transformarem a vida de sua esposa Meghan em um “verdadeiro inferno”.
Quando Meghan foi vítima de “ataques cruéis e persistentes”, ou de artigos “por vezes racistas”, Harry passou a se opor “à postura de não tomar medidas contra a imprensa”.
“Estou decidido a exigir responsabilidades pelo bem de todos. Creio que é de interesse público”, afirmou. Harry culpa a mídia pela morte de sua mãe, a princesa Diana, em um acidente em Paris em 1997, enquanto tentava fugir dos ‘paparazzi’.
Em 22 de janeiro, foi a vez da atriz Liz Hurley, de 60 anos, depor. A ex-esposa do ator Hugh Grant caiu no choro algumas vezes e acusou os tabloides de colocar microfones nas janelas de sua casa.
Além de Harry, Liz Hurley, Elton John e seu marido, os outros três autores são a atriz Sadie Frost, a ativista pelos direitos civis Doreen Lawrence, e o ex-político Simon Hugues, do Partido Liberal Democrata.
Este julgamento é o terceiro caso apresentado pelo príncipe contra uma editora.
N.Calero--HdM