Imagens de iranianas sem véu exibidas pela TV estatal incomodam críticos
A exibição pela TV estatal iraniana de entrevistas com mulheres que não usavam o véu, durante uma passeata para lembrar a Revolução Islâmica, incomodou os críticos do poder clerical, segundo os quais as autoridades agiram com hipocrisia.
Desde pouco depois da revolução de 1979, as iranianas são obrigadas a se cobrir em público. Nos últimos meses, multiplicaram-se os casos de mulheres que violam abertamente essa regra, principalmente na capital do país, Teerã.
Durante a passeata anual realizada ontem, que lembrou o 47º aniversário da revolução, a TV estatal exibiu pela primeira vez mulheres que proclamavam apoio às autoridades com a cabeça descoberta. Para os críticos do poder, essa foi uma manobra cínica, após o país ser sacudido nas últimas semanas por protestos duramente reprimidos pelas forças de segurança.
Em uma entrevista que viralizou nas redes sociais, uma mulher sem o véu foi questionada sobre o motivo de ter decidido participar do protesto pela primeira vez. "Diante dos acontecimentos recentes no país, gostaria de dizer que a resistência segue viva em nome do Irã e em nossos corações", respondeu.
Quando perguntada se tinha uma mensagem para os inimigos do Irã, a mulher, que não foi identificada, respondeu: "Ou a morte ou a pátria."
Diversas entrevistas semelhantes foram feitas na manifestação em Teerã, que foi marcada, como de costume, por palavras de hostilidade contra os Estados Unidos.
Jason Brodsky, diretor de políticas do grupo americano United Against Nuclear Iran, disse que a decisão de mostrar mulheres sem o hijab serviu como "válvula de escape", tanto no país quanto no exterior, em meio à repressão aos protestos. "Acham que podem comprar a calma divulgando essas imagens."
N.Carrasco--HdM