Trump dá trégua por encerrada e alerta que atacará Irã 'com muita força esta noite'
Os Estados Unidos vão atacar o Irã "com força" nesta noite, advertiu nesta quarta-feira (8) o presidente Donald Trump, que declarou encerrada a trégua e, mais tarde, afirmou esperar que esses confrontos terminem "muito rapidamente".
As hostilidades atingiram vários países do Golfo, mas se concentraram no Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o comércio de hidrocarbonetos que continua sendo um dos principais focos do conflito, desencadeado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Teerã quer controlar o Estreito de Ormuz por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará embarcações que não respeitarem os corredores autorizados. Desde junho, a República Islâmica está em negociações com Washington para encontrar uma solução duradoura para o conflito.
Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três embarcações nos últimos dias desencadearam uma ofensiva americana contra alvos no Irã na terça-feira, à qual Teerã respondeu atacando países da região do Golfo, aliados de Washington.
"No que diz respeito a mim, acabou", declarou Trump nesta quarta-feira, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda permanecia em vigor.
Além disso, Trump advertiu: "Esta noite vamos atacá-los com força" e, mais tarde, afirmou esperar que os confrontos terminem rapidamente.
"Acho que qualquer coisa que aconteça terminará muito rapidamente e apenas tornará tudo mais seguro, inclusive para o petróleo (...) Seja o que for que aconteça, acontecerá muito rapidamente. Não buscamos uma situação de longo prazo", declarou.
O Paquistão, que mediou a obtenção da trégua, pediu a todas as partes que exerçam moderação e respeitem seus compromissos, enquanto o Catar, outro importante mediador, condenou os ataques do Irã e pediu a retomada do caminho da diplomacia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou as partes a "adotarem medidas imediatas para reduzir a escalada" e a retomarem o diálogo.
As declarações do presidente americano impulsionaram os preços do petróleo, e o barril do Brent do Mar do Norte chegou a ser negociado a 80 dólares ao longo do dia.
- Novas explosões -
A agência de notícias iraniana Irib informou nesta quarta-feira sobre várias explosões nos arredores do Estreito de Ormuz, entre elas seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país.
Também foram relatadas explosões na cidade portuária de Bushehr, onde se encontra a única usina nuclear civil do país.
A cidade está situada perto da Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã, pela qual transita cerca de 90% das exportações de petróleo do país.
Pelo menos oito efetivos das Forças Armadas iranianas morreram nos ataques dos Estados Unidos, informou a imprensa estatal.
O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa antiaérea iranianos, instalações de radar costeiro e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.
Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.
- "O fantasma da guerra voltou" -
Nawal Saad, uma funcionária do Bahrein, expressou sua angústia após acordar com os alertas antiaéreos.
"O fantasma da guerra volta a pairar sobre nós", lamentou.
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem "graves" violações do acordo entre ambos os países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano.
Washington revogou as isenções que permitiam determinadas vendas de petróleo enquanto continuam as negociações sobre um acordo definitivo para o conflito.
"As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências", declarou a um funcionário americano à AFP.
Embora o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz tenha começado a se recuperar após o acordo assinado no mês passado, Teerã insiste que não voltará ao sistema anterior, que permitia a livre circulação pelo estreito.
A Organização Marítima Internacional (OMI) informou nesta quarta-feira que cerca de 6 mil marinheiros permanecem bloqueados no Golfo devido ao conflito no Oriente Médio e condenou a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
burs-axn/ris/meb/avl-an/pb/lm/aa/am
D.Prieto--HdM