Do G7 a Versalhes: a relação de ouro entre Macron e Trump
Satisfeito com o resultado da reunião de cúpula do G7, o presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu nesta quarta-feira (17) seu colega Donald Trump para um jantar no Palácio de Versalhes, fechando com chave de ouro uma viagem em que o presidente americano se mostrou particularmente solícito.
Trump deixou a cidade de Évian no começo da tarde e foi recebido calorosamente na entrada de Versalhes horas depois, por Emmanuel Macron e sua mulher, Brigitte, a quem cumprimentou com um beijo no rosto.
O jantar celebrou o 250º aniversário de independência dos Estados Unidos. O Palácio do Eliseu destacou que se trata de "um lugar emblemático da amizade" franco-americana, já que um tratado foi assinado no local em 1783.
Para que Trump pudesse apreciar o palácio em toda a sua magnitude, Macron organizou uma visita privada. O trajeto foi interrompido por uma conversa telefônica entre os dois presidentes e seu colega ucraniano, Volodimir Zelensky, por iniciativa de Macron, segundo o Eliseu. Zelensky disse que os três conversaram sobre a reunião do G7.
Macron e Trump jantaram em seguida. O menu incluiu um prato de aspargos brancos e aves, uma seleção de queijos franceses e uma sobremesa de chocolate.
Cerca de 30 pessoas desfrutaram do banquete, entre elas representantes dos governos americano e francês e do setor empresarial, como Bernard Arnault (LVMH), Patrick Pouyanné (TotalEnergies) e Rodolphe Saadé (CMA CGM). Macron elogiou Trump, em quem disse sempre ter confiado, apesar de suas divergências.
Três horas após a sua chegada, o presidente americano foi escoltado pelo casal Macron até o veículo que o levaria para o aeroporto, por volta da 1h local de quinta-feira.
- "Não é um jantar de gala" -
Macron desfruta da boa relação que mostrou nos últimos dias com Trump. Seus opositores o criticam por ter organizado um jantar "com pompa" e um grande dispositivo de segurança para agradar o presidente americano.
"Definitivamente, temos que aprender a viver sem Trump", disse Jean-Luc Mélenchon, que vai disputar as eleições presidenciais de 2027 pelo partido de esquerda radical França Insubmissa. "Não é um jantar de gala", respondeu nesta semana o chefe de Estado.
Era preciso garantir que o presidente americano, que se retirou precocemente do encontro do G7 no Canadá no ano passado, permanecesse até o fim da reunião em Évian. "Não nos envergonhemos do que somos. Versalhes é um instrumento diplomático e de poder", disse Macron.
O presidente francês ressaltou que nunca se mostrou "ambíguo ou fraco" diante de Trump. Já o presidente americano nem sempre foi amigável com Macron, que conhece há dez anos.
No campo pessoal, a relação franco-americana esfriou consideravelmente nos últimos meses. As críticas a Macron atingiram o ápice quando Trump fez piada com sua vida conjugal.
Após a reunião de cúpula em Évian, que considerou "extremamente bem-sucedida", o presidente americano multiplicou seus elogios ao colega francês, e descreveu Macron como "um amigo especial" e Brigitte como "uma pessoa fantástica".
D.Ferrer--HdM