Governo da Bolívia e central sindical fecham acordo para levantar protestos
O governo da Bolívia e a Central Operária Boliviana (COB) fecharam nesta sexta-feira um acordo para pacificar o país, após mais de seis semanas de protestos sindicais que pediam a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Alguns setores, no entanto, afirmaram que vão manter as manifestações.
A COB decretou no começo do mês passado uma greve trabalhista e um bloqueio de estradas, em protesto contra a falta de solução para a crise econômica mais grave no país em 40 anos. A medida provocou escassez de alimentos, remédios e combustível em várias cidades, principalmente em La Paz e El Alto.
Mario Argollo, líder da COB, informou que, "a partir deste momento, as medidas de pressão em nível nacional estão sendo levantadas", e destacou o "compromisso do governo de cumprir imediatamente tudo o que foi assinado".
Paz saudou o acordo e ressaltou que "o diálogo é mais forte do que a própria força. Não sobrevivem os mais fortes, e sim os que sabem se adaptar."
O governo havia iniciado um diálogo com Argollo na semana passada. Sindicalistas e ministros se reuniram para alcançar o acordo de hoje.
Os bloqueios de estradas, que chegaram a mais de 100, caíram pela metade, e o governo espera que eles diminuam ainda mais nas próximas horas. Mas os indígenas e camponeses do sindicato Túpac Katari, dos Andes, e os cultivadores de folhas de coca do Chapare decidiram manter a pressão.
- Libertação de presos -
Os acordos preveem a formação de mesas de trabalho entre ministros e líderes sindicais para estudar a libertação das pessoas detidas em manifestações e bloqueios de estradas. Segundo a Defensoria do Povo, elas são mais de 100.
O governo também se comprometeu a não privatizar estatais, como pediam os sindicatos. Ele afirma que as manifestações foram promovidas pelo ex-presidente Evo Morales (2006-2019), o que Argollo negou.
Morales é alvo de um mandado de prisão por tráfico de menor, um crime que nega. Ele está refugiado na região do Chapare, protegido por grupos de camponeses.
.
O.Rivas--HdM