Trump ameaça atingir Irã 'com força' após escalada de ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, nesta segunda-feira (31), atingir o Irã "com força" após ambos os países retomarem seus ataques cruzados, enquanto o mandatário iraniano, Masoud Pezeshkian, considerou que continuar a guerra com Washington não trará benefícios para seu país.
Seis meses após o início do conflito com ataques conjuntos dos EUA e de Israel, o Irã mantém o bloqueio sobre o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde passava 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos antes da guerra. Washington, por sua vez, persiste em um cerco contra portos iranianos.
No domingo, os Estados Unidos anunciaram que haviam atacado uma ilha iraniana no estreito. Teerã respondeu bombardeando alvos militares americanos no Oriente Médio.
Essa troca, a primeira desse tipo em um mês, despertou temores de uma intensificação das hostilidades. Após o anúncio, o preço do barril de Brent se recuperou e está sendo negociado acima de 90 dólares.
O presidente americano prometeu reagir. "Vamos atingi-los com força", disse Trump, segundo um jornalista da Fox News que afirmou ter falado brevemente com ele.
Washington afirma que direcionou seus ataques contra lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak para impedir que Teerã colocasse minas em Ormuz.
O Irã respondeu com ataques à Jordânia e aos Emirados Árabes Unidos, que teriam como alvo forças americanas, segundo Teerã.
Mais tarde, o presidente Pezeshkian defendeu o diálogo. "Continuamos nos empenhando para encontrar um caminho de acordo e entendimento e consideramos que manter a guerra não está em nosso interesse nem no interesse da região", declarou antes da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) no Quirguistão.
O ataque dos Estados Unidos contra Larak deixou dois mortos e dois feridos, segundo meios de comunicação oficiais.
A influente Guarda Revolucionária iraniana anunciou que respondeu lançando mísseis balísticos contra duas bases aéreas militares americanas na Jordânia, aliada de Washington, causando "graves danos".
O Exército jordaniano afirmou ter interceptado oito mísseis, sem precisar sua procedência.
Teerã também indicou nesta segunda-feira que atacou militares americanos em uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos utilizando "dezenas de drones", segundo a televisão estatal.
Os Emirados asseguraram ter "respondido" a um drone proveniente do Irã.
Esses ataques ocorrem após semanas em que as hostilidades haviam perdido intensidade. No entanto, houve trocas esporádicas de disparos na região, sobretudo no Estreito de Ormuz e em seus arredores.
- EUA promete manter pressão econômica -
A Guarda Revolucionária afirmou nesta segunda-feira que um petroleiro "pirata" pegou fogo após ser atingido por duas minas ao tentar "passar pela rota ilegal" ao sul de Ormuz.
Horas depois, o Exército americano desmentiu essa informação e assegurou que "nenhum navio colidiu com minas no Estreito de Ormuz".
Desde o último bombardeio americano contra o Irã em 29 de julho, o governo de Trump teria privilegiado a "guerra econômica".
Nesta segunda-feira, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que os Estados Unidos manteriam esta política de pressão ao início de uma reunião dos ministros das Finanças do G20 em Asheville, na Carolina do Norte.
"Vamos continuar pressionando, e já tivemos conversas muito boas aqui", disse Bessent à imprensa antes do encontro.
Ele indicou que um ponto de virada na campanha de pressão americana pode chegar "em questão de semanas ou meses".
Por sua vez, o Irã pressiona os Estados Unidos com o bloqueio do Estreito de Ormuz.
A guerra é profundamente impopular na opinião pública americana, a dois meses das eleições legislativas de meio de mandato em novembro, nas quais Trump corre o risco de ver seu partido perder o controle de ambas as câmaras do Congresso.
O mandatário se reunirá na terça-feira (1º) com representantes do setor petrolífero, depois de os Estados Unidos anunciarem, na semana passada, um acordo com a Venezuela que, segundo o presidente republicano, dará ao seu país o controle majoritário de uma parte das imensas reservas de petróleo bruto.
A.Cano--HdM