Brasil expressa 'profunda preocupação' por suspensão de exportações de carne para UE
O governo federal expressou, na quinta-feira (3), sua "profunda preocupação" com a decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne brasileira até que o país ofereça garantias sanitárias.
O bloco europeu colocou em vigor na quinta-feira um embargo à carne bovina, à carne de aves e a outros produtos de origem animal do Brasil, após o país ter sido excluído, em maio, da lista de nações que cumprem suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
A medida entrou em vigor em meio às pressões da indústria pecuária europeia após a assinatura de um acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia recorrer a "medidas de reciprocidade" caso não se chegue a uma "solução satisfatória", advertiram, em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária.
"Uma vez demonstrado o cumprimento" das normas exigidas, "as exportações para a UE poderão ser retomadas", declarou à AFP um porta-voz da Comissão Europeia.
"O Brasil implementou as medidas necessárias (...) e apresentou às autoridades europeias a documentação e as informações pertinentes relativas aos produtos destinados à exportação", rebateu o governo brasileiro.
Nesta sexta-feira (4), a UE insistiu que suas normas contra o uso indevido de antibióticos eram "conhecidas há muito tempo".
"Nossa abordagem é proporcional e não discriminatória, e concedemos aos nossos parceiros tempo suficiente, assim como todas as informações necessárias, para que se adaptem", afirmou Olof Gill, porta-voz de Comércio da Comissão Europeia, o braço Executivo da UE.
A UE promete manter "uma cooperação estreita com as autoridades brasileiras para permitir que assegurem que cumprem plenamente os requisitos exigidos".
A suspensão das compras também afeta ovos, mel e outros produtos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas embarcadas, que representaram mais de 713 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões).
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul, assinado em janeiro deste ano, entrou em vigor de forma provisória em maio.
Y.Robles--HdM