Houthis atacam base saudita e Irã nega envolvimento na guerra no Iêmen
Os houthis do Iêmen lançaram nesta segunda-feira (14) uma nova série de ataques com mísseis e drones contra alvos militares da Arábia Saudita, enquanto o Irã negou qualquer envolvimento na retomada da guerra civil no país.
Na semana passada, o grupo assumiu o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, que ganhou importância estratégica desde que a guerra entre Estados Unidos e Irã restringiu o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Os houthis afirmaram ter lançado dezenas de drones e mísseis contra a Arábia Saudita, o que levou a Defesa Civil do reino a emitir alertas nas cidades de Khamis Mushait e Abha.
Outros ataques com mísseis dos houthis no oeste do Iêmen mataram oito soldados das forças do governo iemenita, disseram à AFP duas fontes militares da administração sediada em Áden.
Um morador de Khamis Mushait relatou ter ouvido "fortes explosões" que provocaram incêndios. "A verdade é que não conseguimos dormir nada", afirmou.
Bab el-Mandeb tornou-se essencial para as exportações de petróleo sauditas devido ao bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, mas os houthis declararam um bloqueio marítimo contra Riade.
A retomada dos combates no Iêmen coincide com uma redução das tensões na guerra regional. O presidente americano, Donald Trump, afirmou novamente nesta segunda-feira que está "aberto" a dialogar com o Irã para encerrar o conflito.
"A enfraquecida nação iraniana quer fazer um acordo, rápida e desesperadamente. Decidirei se os Estados Unidos vão ou não se envolver, uma ideia à qual continuamos abertos", declarou Trump em sua rede Truth Social.
- Guerra regional mais ampla -
Uma reunião prevista para esta segunda-feira entre os países do Golfo e o Irã sobre o futuro do Estreito de Ormuz foi adiada, e Teerã acusou Riade de usar o Iêmen como "pretexto" para postergar as negociações.
Teerã apoia há anos os houthis, que considera parte de seu "eixo de resistência" contra Israel, inclusive com armas e tecnologia. Analistas, porém, divergem sobre o grau de envolvimento iraniano na retomada dos combates.
"O Irã não interfere nos assuntos iemenitas", declarou a jornalistas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
O Irã já ameaçou abrir "novas frentes", incluindo Bab el-Mandeb, mas Baqaei afirmou que os houthis são "totalmente independentes" e "tomam suas decisões com base em seus próprios interesses".
A ofensiva dos houthis voltou a elevar o preço do petróleo para mais de 100 dólares (cerca de 530 reais) por barril.
Atualmente, a longa rota pelo Canal de Suez e contornando a África é a única via segura para que o petróleo saudita chegue aos mercados asiáticos.
- 300 ataques em cinco dias -
A guerra civil do Iêmen permaneceu em grande parte paralisada durante quatro anos antes de voltar a se intensificar em julho, quando os houthis permitiram o pouso de um avião iraniano no país apesar do controle saudita do espaço aéreo.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou nesta segunda-feira que os últimos ataques tiveram como alvo "hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso e depósitos de munição" na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, em represália pelos bombardeios sauditas.
Saree acusou a Arábia Saudita de realizar "mais de 300 ataques aéreos nos últimos cinco dias" em todo o Iêmen.
Os houthis tomaram a capital, Saná, em 2014, no início da guerra civil, obrigando o governo a se transferir para Áden, no sul. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão que interveio ao lado do governo.
O conflito mergulhou o país em uma das piores crises humanitárias do mundo. Em 2025, a ONU alertou que 17 milhões de iemenitas enfrentavam dificuldades para se alimentar e outro milhão estava em situação de fome extrema.
Nesta segunda-feira, a agência de migração da ONU informou que a retomada dos combates obrigou 93.864 pessoas a deixarem suas casas.
F.Cabrera--HdM